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quinta-feira, 5 de junho de 2014

MAIS UM POUCO SOBRE DEPRESSÃO NA DIÁLISE



Uma das complicações da depressão maior nos pacientes em diálise é o suicídio. Moreira-Almeida e Meleiro (2000) fizeram uma revisão de literatura sobre o tema. Àquela época, eles constataram que a depressão na diálise aumenta em até 15 vezes o risco de suicídio.

Além do suicídio direto, a tentativa de retirar a própria vida, a depressão pode reduzir a esperança de vida do paciente, se ele diminui a aderência ao tratamento, ou seja, para de tomar os remédios corretamente, começa a faltar às sessões de diálise, relaxa com a dieta prescrita e evita atividade física. 

Os médicos chamaram a atenção para um círculo vicioso: a depressão prejudica a adesão ao tratamento, que debilita o organismo do paciente, que aumenta o estado depressivo.

Se você tem idéias suicidas, falta de prazer na vida, culpa excessiva, humor deprimido por duas semanas ou mais, sente que não vale nada, e está bem dialisado, vale a pena procurar um profissional psiquiatra ou psicólogo para tirar a dúvida. Não tente se autodiagnosticar, e muito menos se automedicar.

Tratamento psiquiátrico e psicoterapêutico são os recursos disponíveis para os pacientes renais com depressão. Vamos usá-los?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

RENAIS: CUIDADO COM A DEPRESSÃO



O paciente renal está sujeito a transtornos mentais. São muitos estudos com resultados um pouco diferentes, então vamos comentar aos poucos.

Nuñez e outros (2004) fizeram um trabalho com 75 pacientes em três hospitais espanhóis. Quantos apresentavam depressão? O resultado não é otimista: 22,7% deles apresentavam depressão moderada ou grave e 30,7% apresentaram depressão leve.

Quais são os sintomas de depressão no paciente renal?

Observe se ao longo de duas semanas o paciente está apresentando alguns (e não apenas um) desses sintomas (critérios do DSMIV):

- Chora muito
- Sente-se triste ou vazio
- Não tem interesse pelas atividades
- Não sente prazer em fazer atividades que antes eram prazerosas
- Perda ou ganho significativo de peso sem estar de dieta (cuidado com este sintoma, que pode ser por causa de desnutrição com a diálise e não da depressão)
- Insônia ou excesso de sono
- Sente-se inútil ou culpado sem razão
- Fadiga ou perda de energia (fora do horário imediatamente após a hemodiálise, no qual é normal sentir-se cansado em função da “retirada do líquido excessivo”)
- Dificuldade de concentração
- Indecisão em situações simples
- Vontade de morrer, ideias suicidas

Estes sintomas demandam cuidados. Se há suspeita de depressão, o melhor profissional para avaliá-la e trata-la com medicamentos é o psiquiatra. O paciente pode ser beneficiado pelo tratamento psicológico simultâneo.

Evitem a “tentação” de querer que os nefrologistas tratem da depressão de seus  pacientes. Eles são médicos e têm habilitação para tal, mas não são especializados em transtornos mentais.  Os psiquiatras têm muito mais traquejo para acompanhar este tipo de tratamento, na minha opinião.

Lamentavelmente, apesar da alta prevalência (grande número de pacientes renais com depressão) as normas que regulam o tratamento não preveem facilidade de acesso ao tratamento psiquiátrico, o que acaba aumentando o risco de suicídio e a diminuição da qualidade de vida do paciente.

Algumas situações exigem maior atenção da equipe, especialmente do serviço de psicologia: 

1. Infecção do peritônio (peritonite) de pacientes em diálise peritoneal
2. Perda da função renal com início do tratamento substitutivo (hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal)
3. Perda de fístula por paciente em hemodiálise 
4. Perda de órgão transplantado